ANÁLISE DA PRÁTICA DE PROJETO DE APRENDIZAGEM
A análise se deu através da observação simples, participante e sistemática da ação através de relato de falas, citações, ação dos envolvidos e do pesquisador sendo este também produto da participação e, ao mesmo tempo, observador. Concomitante a observação, outro aspecto adotado para coleta de dados foi à entrevista instantânea da ação com objetivo de obtenção dos dados que interessam à investigação e até mesmo como um recurso característico do método clinico piagetiano adotado.
Posteriormente, partiu-se para o diálogo onde os alunos colocaram o que gostariam de aprender, buscar e pesquisar dentro do grupo de maneira individual e/ou grupal. Em Projeto de Aprendizagem é o aluno quem organiza o que é relevante para sua aprendizagem, construindo assim, professor e aluno, um currículo não a priori, mas conforme os acontecimentos surgidos dentro do processo educativo, vivenciado no ato da prática que irá ser desenvolvido o Projeto de Aprendizagem. Observou-se, portanto, que o professor passa a ter um papel de mediador, orientador da aprendizagem possibilitando com que o aluno seja o agente ativo da construção do conhecimento.
Ao construir essa prática de aprendizagem, foram oportunizados espaços para que os alunos questionassem e formulassem questões que vinham ao encontro de seus interesses, sendo a leitura dos livros distribuídos contextualizada para que as perguntas fossem analisadas e classificadas por assuntos e/ou semelhanças.
Neste dia percebeu-se que o:
Projeto de Aprendizagem é concebido como um projeto coletivo de pesquisa realizado pelos educandos, a partir de suas questões e vivências, partindo do levantamento de suas certezas provisórias e de suas dúvidas temporárias para atingir a comunicação do conhecimento construído (FAGUNDES, 2007).
Neste sentido o Projeto de Aprendizagem (PA) permite que nele o professor não ensine, mas estimule a aprendizagem do aluno de forma individual e/ou grupal de acordo com a decisão democrática dos mesmos havendo assim, ao mesmo tempo cooperação e colaboração, buscando estabelecer consensos, negociação e regras para construção do conhecimento. Um Projeto de Aprendizagem é gerado através de uma questão problematizadora - pergunta -, relacionando certezas provisórias e dúvidas temporárias com o objetivo de dar rumo à pesquisa dos alunos. Ainda através dele se irá interagir e intervir com a intenção de propor reflexões e ações para que o aluno construa seu conhecimento. Para que esta intervenção se efetue, o planejamento é fundamental para o professor poder ter clareza da intenção no ato de planejar a construção do conhecimento dos sujeitos com quem irá interagir. Nesse caso, planejar também é definir objetivos, metodologia, recursos, assim como serão realizados os registros e a avaliação.
Quanto a esta prática, foram também registradas observações como:
“Alunos inquietos inicialmente. A professora aguardava silêncio, pedindo várias vezes à atenção e, não obtendo resposta procurou provocá-los dizendo para abrir o livro “Coleção Charadinhas - Dizeres” e, esta foi logo lendo: - “O que disse o ovo para o pinto”? Sendo que não aguardou resposta e deu seguimento a leitura: - “Ué, mas quem nasceu primeiro, foi o ovo ou foi a galinha?”. Foi quando uma voz soou alta e rapidamente respondendo: - “Foi a galinha”. Em um outro canto da sala pode-se ainda ouvir: - Foi o ovo porque dele nasce a galinha”.
Como diz PIAGET (1973, p. 105) "[...] cooperar na ação é operar em comum, isto é, ajustar por meio de novas operações (qualitativas ou métricas) de correspondência, reciprocidade ou complementaridade, as ações executadas por cada um dos parceiros". A professora pôde iniciar então sua explanação, perguntando o que gostariam de aprender com os questionamentos, dúvidas feitas a partir da leitura dos livros distribuídos, podendo, também pesquisar o que diz na Internet sobre o assunto em estudo.
Neste momento a professora buscou fazer uma intervenção, indagando sobre o que sabiam os alunos sobre a Internet. Surgiram respostas como: _ “É um programa de computador”, “É onde tem resposta para pesquisa”, “É como se fosse um correio ou um telefone”. Elogiou-se a colaboração e não foi possível mais explorar sobre o assunto pelo fato dos alunos começarem a fazer perguntas dos livros uns para os outros e a aula se deu por alguns instantes numa linda brincadeira. Apesar de um planejamento flexível e constante, que acompanha as necessidades que vão aparecendo nos Projetos de Aprendizagens (PA), tinha-se muito pouco tempo para trabalhar. Assim, foram relatadas a definição de PA e a importância de pesquisar o que se quer saber, sendo então proposto aos alunos que de forma individual fizessem uma pergunta sobre o que queriam aprender.
Na espera para que todos escrevessem as suas perguntas, a aula começou novamente a apresentar falta de colaboração, talvez pelo fato de ficarem sem o que fazer e esta atividade não levar em conta as habilidades individuais de cada um – como, neste caso, a agilidade de ação de alguns alunos e a lentidão de outros. A falta de colaboração foi tanta que a atividade foi deixada de lado e, numa tentativa de continuar o trabalho, o Laboratório de Informática foi uma escolha com sucesso. Observa-se como característica do papel do professor a importância de, durante a prática, ir construindo habilidades para que este processo aconteça de forma construtiva e significativa para o aprendizado dos alunos, pois mesmo planejando um Projeto, surgem no decorrer desse, imprevistos que fazem parte de um trabalho coletivo como, a dispersão do grupo com relação ao tema em estudo. Entretanto, cabe ao professor fazer com que os alunos voltem sua atenção para o mesmo, porque o que está em questão é a aprendizagem e a construção do conhecimento.
Na chegada ao Laboratório os alunos sentaram-se em grupos para fazer a leitura e tabulação por afinidades e/ou assunto emergidos das questões formuladas. Tudo parecia novidade, na qual a professora ainda não tinha se dado conta que há dois anos os alunos não trabalhavam no Laboratório de Informática por falta de Recursos Humanos. Lembrou-se também do resultado do questionário apresentado ao Consumo Cultural da Proa 12 quando ainda a turma era formada por trinta (30) alunos, onde foi mostrado que apenas onze alunos tinham contato com o computador fora da escola, mas na prática, apenas três demonstraram que tinham algum conhecimento da ferramenta “Word”. Segundo Fagundes (1997) as formas de comunicação se conservam hierárquicas em muitas das instituições de ensino, privilegiando o texto impresso e suas reproduções literais, enquanto no meio ambiente a tecnologia, a virtualização é cada vez mais abundante.
Assim, através dos problemas e dúvidas encontrados foram elaboradas pelos alunos perguntasonde os grupos foram organizados conforme a afinidade por assuntos e, desenvolvido o estudo das seguintes temáticas: Extinção de animais, O Vidro, A eletricidade, O computador, O Plástico, O Mundo, O Ferro, O carro e o Papel. Para esta organização os alunos ficaram livres à negociação entre eles, podendo mudar de grupo caso tivessem prioridade em aprender outro assunto. Este foi um momento importante de reflexão e escolhas para os alunos, pois o grupo deveria se auto-organizar, buscando consensos, estabelecendo regras, funções, resolvendo conflitos de idéias, fazendo negociações. A professora somente interferiu com informações contextualizadas das observações feitas, para que os levassem a refletir e analisar sobre o estudo em questão.
A interação entre os alunos é importante, pois, cada um pode contribuir de maneira criativa para a realização de um trabalho coletivo, enriquecendo o pensamento individual. Nos trabalhos em grupo são considerados os pontos de vista e as idéias de cada um. Neste contexto, o aprendizado não se restringe a exposição à classe, pois podem recorrer a Internet, pesquisando sobre os problemas que encontraram para sanar as dúvidas, encontrando novos problemas dos quais os desafios que surgem auxiliam no processo de aprender e na construção do conhecimento.
Conforme FAGUNDES (1999).
A situação de projeto de aprendizagem pode favorecer especialmente a aprendizagem de cooperação, com as trocas recíprocas e respeito mútuo. Isso quer dizer que a prioridade não é o conteúdo em si, formal e descontextualizado. A proposta é aprender conteúdos, por meio de procedimentos que desenvolvam a própria capacidade de continuar aprendendo, num processo construtivo e simultâneo de questionar-se, encontrar certezas e reconstruí-las em novas certezas. Isso quer dizer: formular problemas, encontrar soluções que suportem a formulação de novos e mais complexos problemas. Ao mesmo tempo este processo compreende o desenvolvimento continuado de novas competências em níveis mais avançados, seja do quadro conceitual do sujeito, de seus sistemas lógicos, seja de seus sistemas de valores e de suas condições de tomada de consciência (FAGUNDES, 1999, p. 24).
No Laboratório de Informática, os grupos formados escolheram um computador para trabalhar. As relações entre alunos são vitais. Através delas, se desenvolvem os conceitos de igualdade, justiça, democracia e se constrói conhecimento. Foi proposto que se organizassem com regras e/ou compromissos individuais e/ou coletivos para que pudessem progredir já que conforme FAGUNDES; MAÇADA; SATO, (1999 p. 16) “quem consegue formular com clareza um problema, a ser resolvido, começa a aprender a definir as direções de sua atividade." Num segundo momento, foi solicitado aos alunos que digitassem no Word a pergunta ou perguntas do seu Projeto de Aprendizagem (PA). Os alunos não conseguiram terminar a atividade por falta de tempo, pois foi através deste projeto que a maioria está tendo oportunidade de contato pela primeira vez com o computador. A alegria e a euforia contagiaram este momento, a novidade à vontade de conhecer era grande entre os alunos. A mistura desses sentimentos e a vontade de querer aprender possibilitam que o aluno vá à busca do que ainda não lhe é conhecido. Contudo, mesmo que atividades não possam ser realizadas em um tempo planejado,
O que interessa são as operações que o aprendiz possa realizar com estas informações, as coordenações, as inferências possíveis, os argumentos, as demonstrações. Pois, para construir conhecimento, é preciso reestruturar as significações anteriores, produzindo boas diferenciações e integrando ao sistema as novas significações. Esta integração é resultado da atividade de diferentes sistemas lógicos do sujeito, que interagem entre si e com os objetos a assimilar ou com os problemas a resolver. Finalmente, o conhecimento novo é produto de atividade intencional, interatividade cognitiva, interação entre os parceiros pensantes, trocas afetivas, investimento de interesse e valores (FAGUNDES; MAÇADA; SATO, 1999 p. 24).
Cabe aqui enfatizar a importância do planejamento do professor ser flexível. O professor tem a função de planejar sua práxis pedagógica, estudá-la para um melhor desenvolvimento das atividades, mas este planejamento deve ser passível de mudanças onde o aluno no momento da prática também contribui para construir-reconstruir tal planejamento.
No segundo encontro partiu-se para a organização do projeto inicial, sendo que nesse momento os alunos registraram seus dados de identificação, a questão central do problema encontrado, perguntas, certezas sobre o assunto e dúvidas sobre as quais investigaram. Ao iniciarem a elaboração com dados de identificação foi perguntado o porquê disso. A justificativa entre outras citadas que chamou a atenção foi de que “sem os dados de identificação, como na Internet as pessoas iriam saber que o projeto é nosso?”. A palavra “nosso”, veio cheia de orgulho e recheada de intenção de coletividade, mostrando que: PIAGET, (1973, p.17). "o conhecimento humano essencialmente coletivo, e a vida social constitui um dos fatores essenciais da formação e do crescimento dos conhecimentos...".
Como já descrito anteriormente, a maioria destes alunos não possuía contato com o computador, eles esperavam pela ajuda do professor para ensinar a usar certas particularidades do teclado na digitação como: letra maiúscula, acentos, números, isto é, noções básicas para a digitação. Além disso, ainda não haviam descoberto que era possível formatar estilos e fontes para o que tinham digitado. Cada grupo conseguiu colocar na página do Word, além dos dados de Identificação, o Título do Projeto, a Pergunta e elaboraram as Dúvidas Temporárias e as Certezas Provisórias como foi proposta no Planejamento. Ao se prever certezas provisórias e dúvidas temporárias, os alunos estão proporcionando a si e ao grupo, pesquisa e ações recheadas de curiosidades que instigam a sede pela construção do saber já que envolve buscar hipóteses, coleta de informações, análise que serão organizadas, registradas e apresentadas, além de proporcionar momentos de interação e desenvolvimento da expressão verbal dos mesmos.
A professora não interferiu no Layout da página dos alunos apesar de ter feito intervenção em casos onde os erros ortográficos eram constantes. Entretanto, esta intervenção foi feita de maneia com que os alunos percebessem os erros ortográficos, questionando-os, por exemplo, com perguntas como: _ “Você sabe por que as palavras estão sublinhadas em vermelho?” obtendo como resposta: _ “Pra fica bonito”. O questionamento prosseguiu, pois o objetivo era de fazer com que os próprios alunos se dessem conta do problema na escrita. Mostrando que o computador possuía um dicionário, a professora solicitou para que o utilizassem. Ao utilizar este recurso, os mesmos perceberam que o erro consistia em trocar a letra “m” por “n”. Após a constatação, iniciaram a correção do que já haviam escrito. Em seguida, a professora também apresentou aos alunos outras maneiras de pesquisa para dúvidas que se aparecem na hora da escrita, como, por exemplo, pesquisando na Internet o significado das palavras.
Após o término da digitação do trabalho, a professora fez intervenções nos grupos levando-os a pensarem em que poderia ser melhorada a digitação como no Layout da página e também tipo de letras, correção ortográfica. Estes estavam com muita dificuldade na utilização das ferramentas, mas atentos e com vontade de melhorar o trabalho inicial. A professora aconselhou para que não apagassem o trabalho digitado inicialmente, afim de que depois pudessem fazer comparações do progresso de cada grupo.
Para o terceiro encontro foi planejado que cada grupo elaborasse um mapa conceitual sobre a proposta até então desenvolvida. A professora explicou o que é mapa conceitual, proporcionando condições para os alunos compreendessem o significado. Através de exemplo no quadro, a professora construiu um mapa conceitual sobre seu projeto de aprendizagem, tentando proporcionar subsídios para entenderem que mapas conceituais são representações gráficas semelhantes a diagramas, realizadas pelo sujeito que sistematiza significado relacionado entre conceitos ligados por conectores servindo de técnica de análise que pode ser usado para ilustrar a estrutura conceitual de um confronto de conhecimento. Enfim, é uma forma de representar o conhecimento construído. Neste contexto, a elaboração dos mapas conceituais está embasada em uma teoria construtivista, entendendo que o indivíduo constrói seu conhecimento e significada a partir da sua predisposição para realizar esta construção. Eles servem como instrumentos para facilitar o aprendizado do conteúdo sistematizado em conteúdo significativo para o aprendiz. Com os diagramas hierárquicos, indicando os conceitos e as relações entre estes, se torna mais fácil fazer a análise do progresso em relação à construção do conhecimento buscado, podendo, ainda, ser utilizado como instrumento que se aplica às diversas áreas do ensino e da aprendizagem escolar, como planejamentos, base para organização e reorganização de ações e avaliação. "Ao construir o mapa, o aluno analisa as relações possíveis entre as idéias que tem sobre um tema", explica Ítalo Dutra, professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).
Mapa Conceitual está baseado na idéia fundamental de que a aprendizagem ocorre por assimilação de novos conceitos e proposições na estrutura cognitiva do aluno. Piaget define a assimilação como,
[...] uma integração à estruturas prévias, que podem permanecer invariáveis ou são mais ou menos modificadas por esta própria integração, mas sem descontinuidade com o estado precedente, isto é, sem serem destruídas, mas simplesmente acomodando-se à nova situação (PIAGET, 1996, p. 13).
A assimilação é o processo cognitivo pelo qual o indivíduo identifica e classifica um novo dado perceptivo motor ou conceitual às estruturas cognitivas prévias (WADSWORTH, 1996). Ou seja, quando a criança tem novas experiências - vendo coisas novas, ou ouvindo coisas novas -, ela tenta adaptar esses novos estímulos às estruturas cognitivas que já possui. Utilizando este conceito, foi trabalhado sobre noção de “Conceitos” e “Conectores” . Assim foi possível desenvolver na prática a elaboração do primeiro mapa conceitual de cada grupo. Houve algumas dificuldades na execução desta proposta, mas que no decorrer do trabalho foram superadas. Isto se deu porque os alunos estavam acostumados a receber respostas prontas e, agora suas perguntas vinham recheadas de outras perguntas e/ou exemplos para que chegassem a conclusões próprias.
A professora parceira aproveitou esta aula para trabalhar com os alunos alguns conteúdos como substantivos, verbos, concordância verbal e nominal dentro das particularidades de cada grupo. O estudo de conteúdos também é fundamental no processo de aprender, entretanto estes podem ser mais bem aproveitados dentro de um contexto e necessidade dos alunos. Assim a aprendizagem torna-se mais significativa, superando concepções de que é preciso tempo e espaço estipulado para o desenvolvimento e aprendizagem de determinados conteúdos.
Já no quarto encontro foram apresentados os mapas construídos pelos grupos aos colegas. Neste espaço os grupos discutiram o encaminhamento da pesquisa, sendo importante a participação de todos nas atividades de pesquisa e análise de dados. A apresentação foi um pouco tumultuada, com isso foi analisada a necessidade do planejamento para a apresentação. Isso fez com que surgissem algumas indagações como, “Quem falará? O que? Quando? Como?”. Devido ao surgimento deste problema, os alunos solicitaram um tempo para se reorganizarem. Houve participação, interesse e adaptação pelo trabalho dos outros. Para Piaget (apud. PULASKI, 1986), a adaptação é a essência do funcionamento intelectual. Esse processo de adaptação é então realizado sob duas operações, a assimilação e a acomodação.
Partindo da assimilação do trabalho de organização anterior, os alunos também se organizaram para a pesquisa. Esta diferenciação de organização planejada para uma ação se dá por um processo chamada acomodação, pois quando se dão conta de que um planejamento pode ou não ser realizado, como o acontecido, acomodarão estímulos a uma nova estrutura cognitiva, criando assim um novo esquema, ou seja, entenderão a diferença e conceito de planejar e agir. PIAGET (1996, p. 18), define “acomodação toda modificação dos esquemas de assimilação sob a influência de situações exteriores (meio) ao quais se aplicam”. Significa que o meio não provoca simplesmente o registro de impressões ou a formação de cópias, mas desencadeia ajustamentos ativos que refletem análise e interpretação, para uma posterior construção de conhecimento.
Ainda nesta aula, foi feita simulação de pesquisa na Internet para que os alunos soubessem como pesquisar o assunto proposto por eles. Iniciando-se assim a pesquisa dos assuntos de interesses dos grupos.
No quinto encontro foi observado que estes alunos liam e copiavam somente o que desejavam, diferentemente do que acontece em muitos dos casos quando o professor solicita alguma pesquisa, ou seja, não é feita uma leitura do que está sendo pesquisado ocorrendo assim, um simples copia e cola.
Constatou-se ainda, que estes alunos, em sua maioria, se encontram entre as fases operatórias - concretas compreendidas entre 8 a 11 anos e operatório-formal entre 8 – 14 anos. Segundo WADSWORTH (1996), estes são os períodos em que o sujeito consolida e desenvolve as noções de número, substância, volume, peso, tempo, espaço, velocidade, ordem, casualidade. Além disso, nessas fases, o aluno já é capaz de ordenar elementos por seu tamanho (grandeza), incluindo conjuntos, organizando então o mundo de forma lógica ou operatória, pois é capaz de pensar logicamente, formular hipóteses e buscar soluções, sem depender mais só da observação da realidade. Apesar de não houver uma limitação para a representação imediata, nem para relações previamente existentes, o aluno continua ainda dependendo do mundo concreto para abstrair dados da realidade Sua organização social é a de grupo, podendo participar de grupos maiores, chefiando e estabelecendo relações de cooperação e reciprocidade. Já pode compreender regras, sendo fiel a ela, e, também, estabelecer compromissos. A conversação torna-se possível -já é uma linguagem socializada -, sem que, no entanto possam discutir diferentes pontos de vista para que cheguem a uma conclusão comum. Adquire a capacidade da representação de uma ação no sentido inverso de uma anterior, anulando a transformação observada. É neste momento que as estruturas cognitivas da criança alcançam seu nível mais elevado de desenvolvimento e tornam-se aptas a aplicar o raciocínio lógico a todas as classes de problemas. Assim, o indivíduo está apto para o pensamento lógico matemático, pois será capaz de calcular uma probabilidade, libertando-se do concreto em proveito de interesses orientados para o futuro. A compreensão das características desta fase é fundamental para que se possa compreender o estágio do desenvolvimento cognitivo com que se está trabalhando.
A concepção construtivista norteou este processo interativo de pesquisa para construção do conhecimento. As ações do professor foram caracterizadas no cuidado em estar atento a tudo, sabendo ouvir, sendo observador, provocador, problematizador, interferindo pacientemente, quando necessário, nas intenções da ação do aluno para orientá-los. Através desta intervenção, proporciona reflexão para que o aluno busque as informações, selecionando, descobrindo, inventando, produzindo, criando e transformando em conhecimento pelas comparações, vivências e contextualizações realizadas.
As intervenções e orientações são fundamentais quando um aluno e/ou grupo apresentam dificuldades para a realização das atividades e aprendizagem, sendo que o papel do professor neste momento não é a de fazer pelo aluno e/ou lhe dar resposta pronta, mas sim, instigá-lo, questioná-lo para o mesmo ir construindo as respostas necessárias. Desta maneira também irão surgir novas dúvidas, possibilitando a constante busca do conhecimento.
Nas pesquisas realizadas podem ocorrer dúvidas, inquietações como, por exemplo, ocorreu no grupo que pesquisou sobre o ferro. O grupo encontrou diferentes utilizações do ferro, ou seja: na busca pela Internet, surgiu a função do mesmo para o organismo do ser humano - o que não vinha de acordo com o que gostariam de conhecer, isto é, o ferro utilizado para construções de objetos. Mesmo assim, a professora procurou questionar o grupo e a pesquisa seguiu o rumo que grupo desejava. Entretanto este momento foi um exemplo concreto de interdisciplinaridade, em que o professor orienta e media a aprendizagem sendo que,
A atitude interdisciplinar não está na junção de conteúdos, nem na junção de métodos; muito menos na junção de disciplinas, nem na criação de novos conteúdos produtos dessas funções; a atitude interdisciplinar está contida nas pessoas que pensam o projeto educativo. Qualquer disciplina, e não especificamente a didática ou estágio, pode ser a articuladora de um novo fazer e de um novo pensar a formação de educador (FAZENDA, 1993, p. 64).
Aqui é possível observar que através deste fato e de outros que permearam esta análise que os conteúdos são apresentados no desenrolar do projeto e aprendidos através desses meios. O desenvolvimento da capacidade de aprender e continuar aprendendo é natural neste processo contínuo de ir e vir nos questionamentos, de investigar as dúvidas e certezas, respeitando a individualidade, os ritmos de aprendizagem de cada aluno. Os temas e conteúdos cruzam-se nas diversas atividades construídas e sugeridas para cada aluno e grupo de trabalho, seja de forma simultânea ou não.
A continuação da pesquisa dos assuntos relatados acima também fez parte do sexto encontro, na qual análises, discussões entre o grupo e os colegas permearam a aula.. Nesta aula, houve um acontecimento interessante, pois um aluno que estava pesquisando junto com o grupo sobre a “Extinção dos animais”, por conta própria, passou a participar do desenvolvimento da pesquisa sobre “O carro”. Quando questionado sobre o porquê desta troca, enfatizou que este assunto era mais interessante. Entende-se aqui que a autonomia do aluno não foi um desrespeito às regras traçadas por ele ou pelo grupo, mas uma maneira de mostrar que no meio do caminho ele encontrou a sua direção. Ser autônomo significa estar apto a, cooperativamente, construir o sistema de regras morais e operatórias necessárias à manutenção de relações permeadas pelo respeito mútuo. Para KAMII (1986), seguidora de Piaget:
A essência da autonomia é que as crianças se tornam capazes de tomar decisões por elas mesmas. Autonomia não é a mesma coisa que liberdade completa. Autonomia significa ser capaz de considerar os fatores relevantes para decidir qual deve ser o melhor caminho da ação. Não pode haver moralidade quando alguém considera somente o seu ponto de vista. Se também consideramos o ponto de vista das outras pessoas, veremos que não somos livres para mentir, quebrar promessas ou agir irrefletidamente (KAMII, 1986, p.72).
A metodologia de Projetos de Aprendizagem exige a desacomodação do professor, ou seja, ele precisa estar comprometido com a proposta que irá desenvolver. Assim, desenvolver Projetos de Aprendizagem exige trabalho do professor e também dos alunos. Concomitante a isso, o sétimo encontro foi trabalhoso, tanto para a professora quanto para os alunos. Para este dia foi planejado o registro da pesquisa no wiki do Grupo, pois a turma é composta de 34 alunos que desconhecem as ferramentas com as quais estavam trabalhando, entretanto, para BORBA (2001)
O acesso à Informática deve ser visto como um direito e, portanto, nas escolas públicas e particulares o estudante deve poder usufruir de uma educação que no momento atual inclua, no mínimo, uma alfabetização tecnológica’. Tal alfabetização deve ser vista não como um curso de Informática, mas, sim, como um aprender a ler essa nova mídia. Assim, o computador deve estar inserido em atividades essenciais, tais como aprender a ler, escrever, compreender textos, entender gráficos, contar, desenvolver noções espaciais etc. E, nesse sentido, a Informática na escola passa a ser parte da resposta a questões ligadas à cidadania (BORBA, 2001, p. 30).
Outro problema que se constatou é que apesar da falta de recursos humanos no Laboratório de Informática, os professores na sua maioria desconhecem e têm medo de trabalhar neste tipo de ambiente por falta de atualização pessoal em termos tecnológicos. Já os alunos acabam tendo contato com este tipo de tecnologia, no sentido de “jogos” que freqüentam nas “Lan House”. Neste contexto vivenciado nas instituições de ensino, Fróes nos diz que é fundamental e necessário:
Mobilizar o corpo docente da escola a se preparar para o uso do Laboratório de Informática na sua prática diária de ensino-aprendizagem. Não se trata, portanto, de fazer do professor um especialista em Informática, mas de criar condições para que se aproprie, dentro do processo de construção de sua competência, da utilização gradativa dos referidos recursos informatizados: somente uma tal apropriação da utilização da tecnologia pelos educadores poderá gerar novas possibilidades de sua utilização educacional (FRÓES, 2001 p.16).
Este momento exigiu participação da professora no auxílio individualizado aos alunos para a elaboração da página dos mesmos no Editor de Texto, enquanto isso a professora parceira auxiliou os alunos no esboço em papel de um novo Mapa Conceitual. Pela dificuldade que a professora parceira encontrou em relação ao manuseio do computador percebeu-se da grande necessidade deste, pois, a utilização dos recursos tecnológicos é indispensável e o professor,
Será mais importante do que nunca, pois ele precisa se apropriar dessa tecnologia e introduzi-la na sala de aula, no seu dia-a-dia, da mesma forma que um professor, que um dia, introduziu o primeiro livro numa escola e teve de começar a lidar de modo diferente com o conhecimento – sem deixar as outras tecnologias de comunicação de lado. Continuaremos a ensinar e a aprender pela palavra, pelo gesto, pela emoção, pela afetividade, pelos textos lidos e escritos, pela televisão, mas agora também pelo computador, pela informação em tempo real, pela tela em camadas, em janelas que vão se aprofundando às nossas vistas (GOUVÊA, 1999).
Durante o desenvolvimento do trabalho feito pelos alunos em conjuntos com as professoras, pôde-se constatar que esta atividade promoveu autonomia, mostravam uma postura ativa, cooperação e construção coletiva conhecimento apresentavam dúvidas e certezas do que pesquisavam e do que desejavam ainda buscar.
Para o oitavo encontro foi proposto a formatação e melhoramento do Layout da página e continuar a correção da grafia das palavras feita pelos próprios alunos com a ajuda do dicionário e pesquisas na internet, exigindo pouco auxílio da professora. Aconteceu neste encontro, também, a comparação do Mapa Conceitual Inicial com o novo elaborado, tendo como objetivo verificar os avanços e mudanças ocorridas neste processo. O objetivo foi fazer com que os alunos pudessem refletir e analisar sobre o aprendizado ocorrido. Enquanto isso, a professora parceira fazia as provocações para que eles se dessem conta, através da sua intervenção, do que eles podiam e deveriam acertar em termos de grafia, tipo de letra, além dos objetivos já citados acima. Este momento se deu pelo trabalho coletivo entre a professora parceira, professora voluntária e a professora que estava desenvolvendo o Projeto de Aprendizagem, além dos alunos. O trabalho coletivo envolve medos, angústias e complexidades, no entanto torna-se necessário transcender, ousar. É necessário que o professor trabalhe a coletividade também entre seus colegas de profissão, para assim oportunizar aos alunos o desenvolvimento desta prática, já que é na ação que se aprende a trabalhar em equipe.
Assim, a aprendizagem de habilidades no trabalho e a utilização de tecnologias são apresentadas como resultados positivos da prática cooperativa. Além disso, o trabalho coletivo desenvolve o exercício da vivência democrática e convivência com as diferenças, oportunizando uma consciência crítica e participativa. Estas características resultantes da convivência em grupo são fundamentais para a vida dos alunos e motivam para a participação em outros grupos na sociedade. E ainda, as práticas cooperativas desenvolvidas oferecem espaços para que um aluno possa aprender com o outro, a intervenção teórica feita, tanto pelo professor como por um colega do grupo sobre a prática, se constitui no principal momento do processo educativo, onde se constituem explicitações de conflitos e provocações de rupturas.
O nono encontro foi reservado para a sistematização e publicação final das pesquisas realizadas e elaboração de avaliação no wiki do grupo. Neste dia foram impressos os mapas conceituais construídos pelos grupos e foram feitas novas comparações. Na elaboração dos primeiros Mapas Conceituais, todos os conceitos colocados estavam ligados por um verbo ou uma frase de ligação; já no segundo Mapa Conceitual mais de um conceito estava ligado por um único conector que é um verbo ou uma frase de ligação. Os primeiros Mapas dão as coordenadas para o desenvolvimento do trabalho, ou seja, eles servem para os alunos o seguirem como um planejamento, já os segundos Mapas dão idéia de conclusão, por onde andaram o que descobriram; servem, praticamente, como um instrumento de avaliação para o professor. Foi ainda, acessados sites de imagens e feito alguns “upload” com a finalidade de melhorar a Layout da página. Cada grupo fez a apresentação para turma. O resultado foi surpreendente. A professora pôde também aprender com os alunos pelas informações transmitidas. Nesse contexto, segundo LEVY, "[...] o professor é incentivado a tornar-se um animador da inteligência coletiva de seus grupos de alunos em vez de um fornecedor direto de conhecimentos".
O décimo encontro foi reservado para a avaliação tanto dos professores como dos alunos sobre o trabalho desenvolvido. Para este aula também se apresentou na internet o resultado do trabalho a todos os envolvidos. Concebe-se que a avaliação é parte integrante em um processo de aprendizagem e, ainda, acompanha permanentemente a evolução e a transformação das construções de conhecimento dos envolvidos em um processo de aprendizagem. Portanto esta se caracteriza como emancipatória, participativa, coletiva, interativa, dinâmica, contínua, reflexiva e política, implicando a ampliação de visão da interação do homem com seus pares e com o próprio meio. Neste sentido, foram observados na prática, os critérios de habilidades específicas como observação, comparação, estabelecimento de relação, compreensão, análise, conclusão, síntese, processo criativo, obtenção de dados, interpretação, resolução de problemas; expressão oral e escrita, comprometimento com o processo implicando colaboração e coletividade. Tais critérios foram coletados através de fotos, pesquisa, registros escritos como o diário de bordo, publicização em Wiki na Internet com o uso de tecnologia da informação e comunicação.
A avaliação foi feita de forma oral, coletiva e individual com anotações realizadas pela professora, onde todos os envolvidos participaram diariamente - quando era proporcionado um momento de reflexão sobre o que se poderia se dar continuidade ou fazer modificações, sendo baseada na produção escrita individual e/ou coletiva dos estudantes. Além disso, a avaliação também se baseou na observação e análise do processo interativo com os alunos e entre os alunos, assim como das atividades propostas, e das ações dos grupos diante dos aspectos de colaboração, ação no meio e construção do conhecimento. O resultado do trabalho foi confeccionado em folhas impressas para levar a biblioteca para que todos tivessem acesso às pesquisas desenvolvidas.
Os Parâmetros curriculares nacionais destacam a importância de uma análise conjunta da produção nos trabalhos escolares e da auto-avaliação:
[...] para o estudante e para o professor, a análise conjunta da produção realizada por meio dos trabalhos escolares é importante no processo educativo, e não deve ser confundida com a correção de exercícios ou provas. Esses momentos, dos quais a auto-avaliação faz parte, são situações em que os estudantes podem tomar consciência tanto de seu processo de aprendizagem como de seu processo educativo mais geral; são situações de síntese, que podem localizá-lo em relação ao conhecimento, ao grupo de colegas de sala de aula e à própria escola (PARÂMETROS CURRICULARES NACIONAIS, 1998, p. 32).
Para a elaboração da Página com o trabalho dos grupos trabalhou-se a importância do que se produz na internet como, ter uma boa aparência para chamar a atenção dos navegadores. Assim propôs-se que eles entrassem em vários sites e fizessem colocações pessoais do que observaram e o que os levou a entrar no site. A maioria disse que não foi só o conteúdo, mas os recursos usados na confecção da página. Feito isso, cada grupo analisou o seu Projeto Inicial e relatou oralmente o observado. Todos concordaram que não estava bonita a página porque tinha erros ortográficos, espaços errados, letras maiúsculas misturadas com letras minúsculas; outros já disseram que usaram só maiúsculas e isso não ficou bom. Quando questionados pela professora se queriam deixar como estava ou se queriam modificar a aparência do que fizeram, concordaram por unanimidade em acertar. Assim, como já sabiam corrigir os erros ortográficos, deram início a esta atividade. Esta atividade exigiu que a professora informasse-os sobre as ferramentas e sobre sua utilidade. A professora havia criado a página de pesquisa de cada grupo e digitado o nome do trabalho e seus componentes; o layout das páginas foi conforme a criatividade de cada um, assim, como o conteúdo pesquisado. Eles haviam feito toda a pesquisa no Word, entretanto na hora de passar para a página do curso, houve confusão. Os desenhos e gravuras que tinham colocado no Word não apareciam na página do projeto. A solução foi ensiná-los como fazer “upload” e como inserir depois na página, fazendo a formatação das gravuras e colocação do texto. Pela atenção e curiosidade demonstrada, o trabalho não foi muito difícil, pois, eles aprenderam logo pela troca de informações e ajuda mútua. O trabalho foi demorado e uns grupos ficaram sem suporte por falta de tempo já que o trabalho era individualizado.
Uma das características importante destes grupos foi que apesar de ainda não saberem fazer resumos não copiaram e não colaram, - talvez porque não descobriram estes macetes -, outra foi que em todas as pesquisas havia conclusão com opinião pessoal como pode ser visto em anexo.
Conforme já descrito, a avaliação aconteceu diariamente de forma oral e escrita onde às idéias foram sistematizadas. A avaliação da aprendizagem é um meio e não um fim em si mesmo, estando assim interligada pela teoria e prática que as circunscrevem. Desse modo, entende-se que a avaliação não se dá nem se dará num vazio conceitual, mas dimensionada por uma concepção de mundo e de educação, trazida para a prática pedagógica.
A avaliação precisa ser caracterizada pela construção do senso de coletividade, de aprender a aprender, por parte do professor, sendo uma proposta de ação interdisciplinar. Então, avaliar é educar e "educar é antes de tudo, mobilizar o aluno para que se torne um aprendiz". PERRENOUD, (2000, p. 75). Diferenciar a avaliação é fazer com que cada aluno vivencie situações fecundadas de aprendizagem. Ao se referir a esta questão se está direcionando também caminhos que devem ser percorridos pela avaliação, ferramentas que compõem o processo ensino-aprendizagem, cuja finalidade primeira é a de uma aprendizagem maior, que aponte caminhos na solução de problemas.
Não somente a avaliação referente ao trabalho feito pelos alunos e sua auto-avaliação, mas também é fundamental a avaliação que o professor faz sobre seu trabalho, tendo assim, oportunidades de rever, construir-reconstruir sua práxis pedagógica. Para FREIRE “é pensando criticamente a prática de hoje, ou de ontem que se pode melhorar a próxima prática. O discurso teórico, necessário à reflexão crítica, tem de ser de tal modo concreto que quase se confunda com a prática”. (1996, p. 43,44). De acordo com esta concepção pedagógica, a professora em sua avaliação constatou que a prática realizada na escola sofreu alterações em seu planejamento, mas planejar é antecipar ações que podem ou não ser realizadas.
Um dos empecilhos encontrados foi que a professora parceira com a qual foi combinado trabalhar e, que até no ano passado fizeram juntas experiência com a aplicação de PA na sua turma, este ano não pode ajudar, por motivos de saúde. Assim, ocorreram duas mudanças de professoras substitutas o que atrapalha um pouco o desenvolvimento do projeto. O trabalho com o PA apresentou algumas dificuldades pelos alunos e professores ainda não estarem acostumados com este tipo de metodologia onde se necessita de participação ativa e constante, pois, os alunos são os autores de suas aprendizagens e os professores a âncora nesta intermediação. Outro problema encontrado foi a indisciplina: a maioria dos alunos vem para escola com a ajuda do Conselho Tutelar ou do próprio juiz; são alunos de periferia, carentes, autônomos, mas com uma bagagem enorme a ser explorada pela vivência diária. Entretanto, estas dificuldades foram superadas, a própria oportunidade de contato com o Laboratório de Informática já foi um fator externo utilizado para motivação interna de cada um. Apesar do "analfabetismo com a ferramenta", os alunos apresentaram grande interesse pela aprendizagem. Estes deveriam ter mais contato com as tecnologias das escolas; nisso o professor também tem uma grande parcela de culpa por não se atualizar e procurar saber como poderia ser usado o rádio, a TV, DVD, Vídeo, computador. A colaboração das professoras parceiras foi de fundamental importância, pois, uma aprendizagem de qualidade é recheada de provocações pelas observações e intervenções realizadas no momento certo. Isso exige prática, ou seja, professores atentos, com vontade de trabalhar e seguir adiante com os resultados, mesmo que eles não sejam o esperado para o momento, mas que isso sirva de base para um próximo desafio, para que se saiba lidar de maneira diferente. Praticar também é realidade, e não só previsão onde sempre se acham soluções.
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