REFERENCIAL TEÓRICO

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REFERENCIAL TEÓRICO

 

 

 

 

A “escola” surgiu na Idade Média, na Grécia, e significava o lugar do ócio, ou seja: repouso; lazer; descanso; estado de quem não faz nada; preguiça. Nesta época a escola tinha por objetivo atender aos filhos dos grandes senhores e soberanos que não precisavam trabalhar para garantir a sua sobrevivência, mas que necessitavam ocupar o seu tempo ocioso neste espaço considerado de lazer e prazer de forma nobre e digna. Com o passar do tempo, e com a exigência dos mesmos pela sua modernização, a escola perde esse significado e passa a ser vista como um lugar onde se busca informações corretas como forma de cultura (o que ocorria, na maioria das vezes, de forma descontextualizada). Torna-se, então, um lugar não prazeroso, onde o professor é o que sabe e o aluno é o que precisa aprender, geralmente na base da “decoreba”.

Essa capacidade mental, relacionada à repetição, foi estigmatizada como uma das barreiras para a verdadeira aprendizagem. A memorização das informações esteve e continua muito presente no nosso meio educacional sendo a reprodução mental das experiências captadas pelo corpo por meio dos movimentos e dos sentidos. Contudo, a verdadeira aprendizagem e a construção do conhecimento foram ficando falhas e, com isso, o resultado é a falta de credibilidade educacional pelos maus resultados computados em censo nacional, onde se crucifica o professor pelo seu papel já defasado.

Com os novos tempos, são exigidas novas habilidades e competências do professor no seu papel, no sentido de propiciar condições para que o aluno construa e/ou reconstrua conhecimento com qualidade, já que se sabe que ele “não é uma tábua rasa[1]”, mas, dono de conhecimentos que também precisam ser valorizados.

O professor tem buscado a re-significação do seu papel, estabelecendo uma relação prazerosa entre o conhecimento e a escola. Para tanto, necessita, diante dessas mudanças, fundamentar-se e avaliar-se como aprendiz e, principalmente, mudar seus esquemas de aprendizagem para poder posicionar-se de outra forma e acompanhar em sua práxis os desafios e a complexidade que o seu ambiente exige.

Neste contexto, percebe-se que o professor está cada vez mais ciente deste processo, que muda constantemente, e tem se preocupado com a importância do seu papel na escola atual, que está deixando de ser um transmissor de informação e conhecimento. Ele investiu nos recursos tecnológicos para que, com isso, o aluno busque motivações internas, a fim de possibilitar uma nova razão cognitiva, um novo pensar, um novo caminho, onde a escola seja um espaço de socialização prazerosa de construção de conhecimentos - não só individual como coletivo, colaborativo, cooperativo e lúdico.

A escola atual precisa estar conectada com o mundo através das tecnologias, para se transformar em um local de produção de cultura e construção de conhecimento, articulando com o que vem acontecendo ao seu redor, com a sua realidade no seu ambiente.

Neste sentido o professor deve ter claras as diretrizes norteadoras desta interação para realmente demonstrar que sabe como, o porquê e para quê utilizar e interagir com estes recursos para não usá-los por usar[2]. O professor, quando trabalha com Projeto de aprendizagem, deve ter consciência do que realmente pretende fazer e, assim, estará proporcionando um espaço de contato com uma variedade de informações de maneira que o aluno construa o seu conhecimento a partir destas.

Segundo FREIRE (1997), ensinar:

Não é transferir conhecimentos, mas criar as possibilidades para a sua produção ou a sua construção. [...] quem forma se forma e reforma ao formar e quem é formado forma-se e forma ao ser formado. [...] Quem ensina aprende ao ensinar e quem aprende ensina ao aprender. (FREIRE, 1997, p. 25).

Em seu livro Pedagogia da Autonomia, Freire afirma que ensinar exige do professor alguns saberes necessários, como rigorosidade metódica, pesquisa, criticidade, respeito aos saberes dos educandos, criticidade. Além disso, a reflexão crítica sobre a sua prática é de fundamental importância para o desenvolvimento do processo educativo. Ao se refletir sobre a prática, o professor está buscando conceitos como estética e ética e deparando com o risco e aceitação do novo.

O professor pode estimular e aguçar a curiosidade pelo meio que os cerca, e ter convicção de que a mudança é possível, pois, compreende que a educação é uma forma de intervenção no mundo. Ao reconhecer isso, compromete-se também com o objetivo educacional de formar cidadãos críticos, reflexivos e inovadores, capazes de tomar decisões conscientes na busca de soluções para os problemas que surgem no seu dia-a-dia.

Para finalizar, FREIRE (1997) resume sua opinião a respeito do assunto:

Pensar certo – é saber que ensinar não é transferir conhecimento é fundamentalmente pensar certo – é uma postura exigente, difícil, às vezes penosa, que temos que assumir diante dos outros e com os outros, em face do mundo e dos fatos, ante nós mesmos. (p. 54).

Percebe-se essa dificuldade ao observar os altos índices de evasão e repetência nas escolas, nos dias de hoje. FAGUNDES & MAÇADA (1999), em “Aprendizes do futuro: as inovações começaram”, referindo-se ao fracasso do ensino tradicional, salientam a necessidade em promover o desenvolvimento do raciocínio do aluno para que ele construa novos conhecimentos:

A grande maioria das metodologias educacionais, e de suas tecnologias, que atualmente são ensinadas nos cursos de formação de professores, mostra-se ineficientes para ajudar o aluno a aprender e desenvolver novos talentos. Não se sabe ajudá-lo a alcançar o poder de pensar, de refletir, de criar com autonomia soluções para os problemas que enfrenta (FAGUNDES, L; SATO, L. & MAÇADA, D. 1999, p. 13).

De acordo com GOUVÊA (1999)

O professor será mais importante do que nunca, pois ele precisa se apropriar dessa tecnologia e induzi-la na sala de aula no seu dia-a-dia, da mesma forma que um professor, que um dia induziu o primeiro livro numa escola e teve de começar a lidar de modo diferente com o conhecimento sem deixar as outras tecnologias de comunicação de lado. Continuaremos a ensinar e a aprender pela palavra. Pelo gesto, pela emoção, pela afetividade, pelos textos lidos escritos, pela televisão, mas agora também pelo computador, pela informação em tempo real, pela tela em camadas, em janelas que vão se aprofundando as vidas (GOVÊA, 1999, p. 10).

Dentro da concepção de Projeto de Aprendizagem, onde os sujeitos são protagonistas da sua aprendizagem, o papel do professor passa por transformações, pois, necessita que o professor de hoje passe a ser um organizador, estimulador, mediador orientador da aprendizagem e monitorador do crescimento cognitivo e afetivo entre outras habilidades e competências que as circunstâncias exigirão dele. Este papel está garantido quando o professor é capaz de apresentar em sala de aula comportamentos coerentes com uma interação dialógica contínua.

3.1 CONHECIMENTO E APRENDIZAGEM

Os termos conhecimento e aprendizagem são utilizados em nosso meio confundindo-os muitas vezes como sinônimos, porém, é importante fazer uma reflexão sobre os dois termos quanto a sua diferenciação e o papel do professor na construção dos mesmos.

É através do processo de aprendizagem que se adquire conhecimento, no entanto o conhecimento resultante do processo não pode ser confundido com aprendizagem. ASSMANN (2001, p. 35), “O avanço das biociências mostrou que a vida é, essencialmente, aprender, [...] parece que se trata deveras de um principio abrangente relacionado com a essência de “estar vivo”, que é sinônimo de estar interagindo.”. Em alguns manuais de psicologia, a aprendizagem é definida como uma mudança de comportamento resultante de prática ou experiência anterior.

O processo de aprendizagem pode ser definido de forma sintética como o modo como os seres adquirem novos conhecimentos, desenvolvem competências e mudam o comportamento. A aprendizagem é um processo construído internamente. Ela depende do nível de desenvolvimento do sujeito e é um processo de reorganização cognitiva. O aprendiz é um ser social que necessita estar em constante interação com o meio para que possa desequilibrar-se, modificar-se, adequar-se, equilibrar-se, e conseqüentemente, aprender e conhecer. O aprender só acontecerá se houver interações entre os envolvidos no processo. Interação é uma ação recíproca entre pessoas, entre pessoas e coisas, ou seja, é quando uma pessoa, ou uma coisa exerce uma ação em outra pessoa ou coisa, sofrendo uma ação desta pessoa ou coisa.  O que favorece a interação é que ela pode ser em tempo real ou não.

A aprendizagem se efetua quando o ambiente é estruturado, afetivo e estimulante mesmo em ambiente informatizado. Assim, não é preciso constantemente provocar e proporcionar atividades aos envolvidos, basta ser sensível à sua natural curiosidade e ter bom senso.

A aprendizagem é provocada por alguém, como nos diz PIAGET apud. LAVATTELLY; STENDLER, (1964):

[...] a aprendizagem é provocada por situações -- provocada por um experimentador psicológico; ou por um professor, com referência a algum ponto didático; ou por uma situação externa. Ela é provocada, em geral, como oposta ao que é espontâneo. Além disso, é um processo limitado a um problema simples ou uma estrutura simples (PIAGET apud. LAVATTELLY; STENDLER, 1964, P. 8).

Piaget, também nos diz que o desenvolvimento do conhecimento é um processo espontâneo, ligado às características do processo global da embriogênese humana e que se relaciona com a totalidade de estruturas do conhecimento. Considera, ainda, que o processo de desenvolvimento é influenciado por fatores como: maturação[3], exercitação[4] e equilibração[5].

Assim, propõe diretamente que o professor deva partir dos esquemas de assimilação da criança com atividades desafiadoras que provoquem desequilíbrios e reequilíbrios sucessivos, promovendo ação sobre o mesmo - o que gera a descoberta e a construção do conhecimento. O conhecimento não é uma cópia original da realidade. A grande finalidade do conhecimento não é conhecer, mas agir sobre o objeto para conhecer. Conhecer é uma ação interiorizada, resultado de uma interação, na qual o sujeito é sempre um elemento ativo, que procura ativamente compreender o mundo. Ele busca resolver as interrogações que esse mundo provoca e, compreendendo o processo dessa transformação, conseqüentemente, compreende o modo como o objeto é construído. O sujeito ativo é aquele que compara, exclui, ordena, categoriza, classifica, reformula, comprova, formula hipóteses, constrói e reconstrói em uma ação interiorizada (pensamento) ou em ação efetiva (segundo seu grau de desenvolvimento), deixando de lado a memorização.

Desta forma, visualiza-se uma possibilidade de se romper com o conceito de que aprender é memorizar para repetir. É importante ter pelo menos uma noção do funcionamento da memória para planejar ações que ajudem os sujeitos a armazenarem e construírem conhecimentos[6].

Atualmente, a prática através de contatos com tecnologias de informação e comunicação (TICs) na promoção das aprendizagens dos alunos estabelece um vínculo de  suas necessidades e interesses, possibilitando articulações com o conhecimento a ser construído.

3.2 TECNOLOGIA DE INFORMAÇÃO NA APRENDIZAGEM: A  ESCOLA E O PAPEL DO PROFESSOR

Entende-se por TICs o desenvolvimento de um conjunto de tecnologias convergentes: microeletrônica, computação, telecomunicação e eletrônica FREITAG (2003), que proporcionam ferramentas para aquisição, produção “on” e “off line”, armazenamento,  processamento  e  transmissão  de  dados  na  forma  de  imagem,  vídeo, texto ou áudio.

Conforme LÉVY (1996, p. 11), há um movimento universal de virtualização que se espalha pelo mundo, influenciando "não apenas a informação e a comunicação, mas, também os corpos, o funcionamento econômico, os quadros coletivos da sensibilidade ou o exercício da inteligência". Conseqüentemente a isso, a educação hoje se vê mergulhada no mundo virtual, afetando tanto alunos como professores, cabendo assim ao corpo docente utilizar-se desses meios tecnológicos em proveito à aprendizagem. A virtualização (e sua grande velocidade de comunicação e informação) está conectada a todos os setores da sociedade, sendo assim, o processo de aprendizagem, assim como a construção do conhecimento, passam por suas influências e variações constantes. O professor, quando não está preparado para este novo, sente-se constrangido, tendendo a renegar, em sua prática, o uso de tecnologias de informação.

Para LÉVY (1996, p. 12), a mutação está intimamente ligada a virtualização e "se apresenta como o movimento do 'devir outro'- ou heterogênese - do humano. Antes de temê-la, condená-la ou lançar-se às cegas a ela, proponho que se faça o esforço de apreender, de pensar, de compreender em toda a sua amplitude a virtualização".  Sendo assim, para melhor se visualizar os impactos das tecnologias na cultura pós-moderna deve-se estar atento para a educação como um processo complexo, inacabado e em permanente evolução. Quando as novas tecnologias fazem parte de um projeto de aprendizagem, além de possibilitar condições para que a aprendizagem ocorra de maneira agradável e prazerosa, também estimula para que este processo ocorra em um menor espaço de tempo, pois os meios de informação estimulam a curiosidade e o interesse, fazendo com que o aluno apresente menores dificuldades de aprendizagem.

O mundo pós-moderno exige do ser humano que ele seja veloz, portanto o fundamental não é o acúmulo de conhecimento, mas de agilidades para adquirir novos conhecimentos. Neste contexto, a escola e professores também são exigidos a criarem novos meios para a aprendizagem. O desenvolvimento tecnológico está modificando a sociedade sob diversos ângulos, então, a educação não pode ficar alienada a este processo.  Desta forma, a tecnologia virtual modifica as funções instituídas numa organização escolar, aumentando os graus de “liberdade”. Segundo LÉVY (1996), “a virtualização é um dos mais importantes vetores da criação da realidade, pois não é simplesmente uma passagem de uma realidade a um conjunto de possíveis aleatórios, contudo envolve um processo de ressignificação na qual a escola está incluída”.

O aluno desenvolve-se cognitivamente na interação com o meio, com as coisas e sendo assim, o mundo virtual é um novo meio que se apresenta ao aluno para construção do conhecimento. Projetos de aprendizagem é uma nova metodologia que insere a escola no contexto da era digital. Segundo FAGUNDES (1997), em ambientes de aprendizagens informatizadas muitas dimensões de interação são acrescentadas. Sendo que esta interação por meio de ambientes de rede (internet) oportuniza aprendizagens que surgem, que são abertos e descobertos, pelas janelas que se abrem e fecham-se, fazendo surgir novos conceitos, novas informações, novos conhecimentos, novos hipertextos, novos hipermídias. O aluno é levado a definir por onde transitar e a relevância do que considera necessário aprender, descobrir, desvelar.

Vygotski já apresentava em suas teorias que na interação com o meio o desenvolvimento cognitivo da criança é estimulado, elevando sua capacidade de aprender. O que ocorre no mundo atual é uma nova maneira de interagir com o meio, ou seja, através da informação e comunicação digital é possível virtualizar-se com o mundo instantaneamente.

Nesse contexto, os professores devem assumir posturas novas e diferenciadas, interagindo com as transformações ocorridas em todas as esferas da sociedade, ensinando e levando o aluno à aprendizagem de forma colaborativa, na forma de investigação e de pesquisa, sendo a internet um instrumento para a promoção da aprendizagem. Projetos de aprendizagem por redes de informações inserem o aluno e professor a infinitos saberes, não totalizáveis, e ricos em possibilidades que propiciam uma visão mais ampla do objeto de estudo, ampliando, assim, a aprendizagem individual de cada membro do grupo.

Contudo, a crise vivenciada na educação brasileira mostra que os atuais paradigmas educacionais não atendem o momento atual. A velocidade e quantidade de informações necessitam de um perfil diferenciado de cidadão para conviver nesta sociedade da informação e da tecnologia. Situação esta que leva os profissionais em educação repensarem suas práticas como também exige investimentos no meio educacional para que haja uma melhor qualidade na promoção da aprendizagem por meios tecnológicos.

Na sociedade da informação, a proliferação de novos paradigmas científicos juntamente à presença de uma economia globalizada, assim como o crescente avanço das tecnologias digitais, exige respostas coerentes e imediatas do segmento educacional. O fazer pedagógico precisa ser analisado e reconstruído em suas concepções epistemológicas e metodológicas, e urgentemente, deve-se reformular o currículo.

Há uma dicotomia entre a prática didático-pedagógica tradicional - que fecha, limita a aprendizagem - e as novas formas de comunicação - que podem abrir e levar a aprendizagem e a construção do conhecimento a âmbitos maiores e mais condizentes à sociedade da era digital. O sistema de ensino deve estar atento às transformações do meio social para incorporá-las a uma prática pedagógica transformadora e inclusiva. É fundamental, para a prática docente, a incorporação de novas propostas e métodos pedagógicos, pois em meio a virtualização, exige-se novos conceitos do que e como acontece o ato de aprender.

Frente aos projetos de aprendizagem, o papel do professor vai ao encontro de facilitar e mediar novas aprendizagens na construção do conhecimento, significando mais dispêndio econômico e a quebra das barreiras estruturais contidas nos estabelecimentos de ensino. O computador já é um elemento natural ao ambiente escolar, mas a sala de aula, em sua grande maioria, ainda está baseada na comunicação oral e centrada no professor.

Em antigos paradigmas o ensino era baseado na transmissão de informações ao aluno e a este cabia a memorização. Atualmente o aluno aprende quando constrói o conhecimento interagindo no mundo dos objetos e das pessoas. Contudo a transformação ocorrida no papel do professor ocorre não porque a escola, bem como o sistema educacional assim o deseje, mas porque a geração de crianças e adolescentes aprende e constrói conhecimentos navegando com facilidade pela Internet, sendo aqui o professor, como descrito acima, o mediador desta aprendizagem. Ao professor cabe proporcionar aos alunos elementos com os quais possam atuar como sujeitos ativos e criadores do processo de aprendizagem. Além disso, pressupostos do relacionamento humano como afetividade, ética e estética não pode estar de fora de projetos de aprendizagem com uso de tecnologia. Para FREIRE (1996, p. 29), “[...] nas condições da verdadeira aprendizagem os educandos vão se transformando em reais sujeitos da construção e da reconstrução do saber ensinando, ao lado do educador, igualmente sujeito deste processo.” na qual a aprendizagem passa a ser uma construção coletiva na relação com o outro e as coisas.

No entanto, as novas tecnologias, vistas como meio de sociabilidade, não devem ser enquadradas em antigos métodos de ensino, como transmissão de informações por parte do professor e receptor de informações pelo aluno, mas, ao contrário, procurando entender e atender o papel que elas exercem no mundo pós-moderno. É necessário clarear o objetivo da introdução das tecnologias nas instituições de ensino e na práxis do professor, pois os computadores não possuem uma característica interativa e transformadora. É o meio como a escola o utilizará que determinará se sua função será de estímulo à criatividade, de incentivador de novas formas de sociabilidade, de desenvolvimento de habilidades cognitivas, estimulador da ociosidade do pensamento e intervenção no mundo, ou mero reprodutor de técnicas antigas.

Os projetos de aprendizagem com as tecnologias de informação e comunicação possuem intuito pedagógico de estimular o aluno à aprendizagem, tornando-a mais significativa, o que influencia o professor a uma metodologia que condiz com a atualidade e necessidade dos cidadãos deste novo milênio. Isto aumenta a complexidade do trabalho docente, levando estes a constantes estudos devido à mudança do papel da escola e do professor. A escola tradicional não condiz mais com a necessidade atual dos alunos e a sua insistência pode ser o fator contribuinte para a crise educacional vivida hoje no Brasil.

Na proposta de aprendizagem por projetos:

É essencial que a curiosidade do aluno, suas dúvidas, suas questões decidam o assunto a ser pesquisado, pois neste caso os conteúdos não serão impostos pelo professor, mas buscados pelo estudante, pois a motivação para aprender é intrínseca ao indivíduo, depende de seu desejo de conhecer, de sua necessidade de saber. (FAGUNDES, 2005, p. 45).

Assim, o professor precisa ter o cuidado de não confundir projeto de aprendizagem com projeto de ensino. FAGUNDES (2005) enfatiza esta diferenciação, isto é, no ensino por projetos tudo parte das decisões do professor, como se o professor pudesse dispor de um conhecimento único e verdadeiro para ser transmitido ao estudante e só a ele coubesse decidir o que, como e com que qualidade deverá ser aprendida. Não se dá oportunidade ao aluno para qualquer escolha. Não lhe cabe tomar decisões. Espera-se sua total submissão a regras impostas. Nos projetos de aprendizagem, aqui propostos, a idéia é o oposto: o aluno atua na construção de sua aprendizagem. Aposta-se que a utilização das novas tecnologias propicie um maior estímulo ao aluno e a uma maior interação entre alunos e professor.

Através das novas tecnologias digital, professor e aluno podem inserir-se neste novo meio enriquecendo o processo educativo, por exemplo, a internetoportuniza a inúmeros usuários a navegação por vários mundos por meio de suas páginas, uma transição acelerada que invade o contexto educacional e não deve ser negada pelas Instituições de Ensino. LÉVY (1998), diz que as novas tecnologias utilizadas como ferramentas pedagógicas na escola redefinem a função docente e agregam às práticas de ensino e aprendizagem novos modos de acesso aos conhecimentos.

Cabe aqui ao professor a redefinição de sua proposta pedagógica, bem como a redefinição do conceito do papel do professor no processo de ensinar-aprender. O ser humano desde sua história apresenta como grande característica a capacidade de aprender e transformar, isso leva o professor conhecer a importância de estar atento as transformações presentes na sua profissão de docente porque não somente estas, mas também os anseios, necessidades e forma de aprender dos discentes passam por mudanças de acordo com a evolução do homem no mundo.

3.3 O CURRÍCULO EM PROJETOS DE APRENDIZAGEM NA ERA DA VIRTUALIZAÇÃO

Apesar de discussões e pesquisas em torno do currículo escolar, este ainda se apresenta no campo educacional como um limitador para mudança na prática docente, levando assim a diversas indagações do por que da dificuldade do rompimento de paradigmas tradicionais que afetam a qualidade da aprendizagem.

O currículo atual é um modo de encadear e “gradear” disciplinas pela necessidade de grande parte dos sistemas de ensino em possuir a priori o que irá ser desenvolvido, reduzindo assim a interdisciplinaridade. Segundo FAZENDA (1993) isso é uma práxis dialógica vivenciada na prática pedagógica e educativa, a uma questão quantitativa. Ainda, quando este é abordado em novas perspectivas, é procurado “[...] o movimento de equalização das grades: tempos iguais para cada área e disciplina, está posto em muitas escolas moderadas. Propostas mais corajosas se perguntam se é uma solução equalizar grades. Sempre serão grades”. (ARROYO, 2000, p. 210).

Nos Projetos de Aprendizagem que utilizam a virtualização, não se encadeiam disciplinas. É próprio da era digital, abrir possibilidades para a aprendizagem e não reduzi-las. Para uma proposta de currículo pós-moderno, é necessário que se pense numa abordagem mais flexível, mais virtualizante, e como o próprio conceito de virtualizante sugere, não é algo de que se tenha conhecimento a priori, mas, que se está em busca, aberto, flutuante. O currículo passa a ser, então, da ordem da criação e não mais do criado.

Ainda, a escola e seu corpo docente ignoram a idéia de mudanças nas hierarquias e estruturas curriculares, fazendo com que a escola na era digital seja questionada, bem como, sua compartimentalização disciplinar, pois suas grades curriculares são pouco propícias ao diálogo entre os saberes. É inerente ao ser humano a “tentação de condenar ou ignorar aquilo que nos é estranho. É mesmo possível que não nos apercebamos da existência de novos estilos de saber, simplesmente porque eles não correspondem aos critérios e definições que nos constituíram e que herdamos da tradição” (LÉVY, 1993, p.117).

Com isso, as incertezas substituíram o que era certo na escola, a sociedade começou a questionar a evasão, a repetência, o fracasso escolar, assim,

[...] pessoas que trabalham nas escolas tentam “passar a peteca” aos outros: os alunos, os pais, a administração, as políticas, o “sistema”. Uma parte dos professores diz: “Mudem a sociedade, mudem a escola, flexibilizem os programas, diminuam as exigências, diminuam o número de alunos por sala de aula que eu me garanto do resto. (PERRENOUD, 2001, 136).

Contudo, é chegada à hora dos profissionais da educação navegar neste novo que se apresenta, ou seja, o desenvolvimento tecnológico digital, pois, “o mundo digital no qual cada navegante é um autor de seus próprios percursos, questiona a escola e sua incapacidade de personalização.” (RAMAL, p.15). Em Projetos de Aprendizagem constrói-se coletivamente o que se quer aprender, isto faz com que o currículo - que normalmente e construído a priori - não comporte mais as expectativas daqueles que buscam a escola como instituição de aprendizagem. O acesso a ambientes de rede leva o aluno a participar de hipertextos onde o pensamento acontece de forma coletiva o que abre a possibilidades de conhecer o novo, acrescentar conhecimento aos quais já possuía.

Cabe a escola oferecer espaços que permitem aprendizagens estimulantes ao pensamento, pois:

O desenvolvimento de uma democracia cognitiva só é possível com a reorganização do saber; e esta pede uma reforma do pensamento que permita não apenas isolar para conhecer, mas também ligar o que está isolado, e nela renasceriam, de uma nova maneira, as noções pulverizadas pelo esmagamento disciplinar: o ser humano, a natureza, o cosmo, a realidade (MORIN, 2004, p. 104).

Para LÉVY (1999) se está saindo de uma formação institucionalizada para uma situação de troca universal de saberes, com intuito de chegar a essa cultura planetária onde a escola assuma um novo papel, ou seja, crie propostas de aprendizagem em que o professor seja um mediador da inteligência coletiva do grupo de alunos e não mais um fornecedor de informações ou conhecimento. Esta nova exigência feita às instituições escolares necessita ser pensada e assumida e não devem ser negadas as mudanças ocorridas na sociedade que, conseqüentemente, invadem a escola.

Assim, um novo currículo passa a ser construído coletivamente, ser não-linear, não seqüencial e sem início e fim. Isto faz com que o trabalho coletivo seja eficaz entre toda a comunidade escolar, mesmo que envolva uma série de complexibilidade, dificuldades e sentimentos, pois o trabalho em equipe,

Afeta o que existe de mais profundo em cada um, sua relação consigo mesmo e com o outro, o medo de ser crucificado ou devorado, a confiança, a dependência, a autonomia, o gosto do poder, o desejo de ser aceito, reconhecido, estimado, a necessidade da solidão e a necessidade contrária de fusão em um grupo (PERRENOUD, 2001, p. 201).

Um currículo elaborado como um hipertexto, em sua essência coletiva, permite uma Educação mais virtualizante, atendendo às características já abordadas anteriormente, como por exemplo, a quebra de tempo e espaço. Este currículo torna o aluno construtor e produtor ativo do próprio conhecimento e, a incorporação das novas tecnologias, como agente de transformação. Contudo, a utilização da tecnologia no contexto educacional não pode tornar-se uma simples ferramenta e, ainda, limitá-la em hierarquias e estruturas que perduram até hoje em currículos escolares. O currículo aqui passa a ser um hipertexto construído por professor e aluno, deixando o primeiro de ser o "autor" do conhecimento, quebrando limites entre autor e leitor na elaboração de hipertexto curricular exigido na pós-modernidade, rompendo com a especificação de início, meio e fim que criava currículos estáticos em forma de documentos. No currículo proposto, é o aluno que estabelece a seqüência, podendo modificar o trajeto a cada momento. Ainda, se for considerado as trocas de mensagens, através de rede, na qual isso faça parte do cotidiano dos alunos, como uma espécie de hipertexto, o conhecimento que se distribui na rede estaria à disposição. Com isso criam-se novos espaços de aprendizagem, dentro e fora da escola. Entende-se então, que a Internet atua no sentido de uma aprendizagem construtiva. É um sistema aberto guiado pelo interesse, iniciada pelo aprendiz e conceitualmente provocadora dentro da concepção construtivista do aprendizado. Além disso, constrói-se um currículo virtualizante, onde professores e alunos estão constantemente criando-o.



[1] O termo “tábua rasa” nasceu através dos romanos, por estes utilizarem tábuas recobertas de cera, onde escreviam com um estilete, raspando depois a escrita e reutilizando a tábua para novos escritos, após aplicação de nova camada de cera. “Tábua rasa”, ou seja, raspar tudo, não deixar traço de nada.

[2] O que acaba prejudicando ainda mais a qualidade da educação se usado como apenas um lazer que dá idéia de falta de competência do professor e uma maneira de “matar aula” por não saber como utilizá-los.

[3]  Crescimento biológico dos órgãos

[4] Funcionamento dos esquemas e órgãos que implica na formação de hábitos. Pautada na experiência, aprendizagem social (aquisição  de valores, linguagem, costumes e padrões culturais e sociais através da transmissão social)

[5]  Processo de auto regulação interna do organismo, que se constitui na busca sucessiva de reequilíbrio após cada desequilíbrio sofrido.

[6] A neurologia tem chegado a conclusões semelhantes às dos educadores. O cérebro se forma na relação da criança com o meio e isso ocorre principalmente até os 10 anos quando os neurônios se interconectam muito rapidamente e de maneira mais acentuada até aos 3 anos, Durante esse desenvolvimento, o cérebro tem que formar cerca de 100 trilhões de conexões entre 100 bilhões de neurônios, depois, a velocidade vai diminuindo. Um adulto tem maior dificuldade para aprender porque seu cérebro cria "conexões" mais lentamente. É importante proporcionar o contato com um ambiente rico nos primeiros anos de vida de um sujeito, para gerar à formação de um cérebro com mais recursos. Ele é como se fosse um arquivo organizado, dividido por uma fenda em dois hemisférios, que são segmentados em lobos, regiões demarcadas sem muita nitidez onde cada coisa aprendida implica a formação de uma "fiação" no cérebro. Quanto mais nova a criança, mais fácil formar essas "fiações". Parte disso é genético, outra, não. As informações captadas pela visão, pela audição, pelo olfato, pelo paladar e pelo tato provocam impulsos elétricos e reações químicas em lobos diferentes e não são guardadas da maneira como foram captadas. Elas são fragmentadas, classificadas e hierarquizadas. Paulo Caramelli, (2003, p 47 Revista Escola-Junho/Julho) especialista em neurologia cognitiva do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo, explica que tanto novas informações quanto as já armazenadas, depois de conectadas e reelaboradas, passam obrigatoriamente pelo hipocampo (H), estrutura que fica sob os dois hemisférios. De lá as informações são espalhadas por toda a superfície do cérebro, o córtex. O cérebro funciona em módulos cooperativos, que se ajudam na hora de recuperar informações. Quanto mais caminhos levarem a elas, mais fácil será o “resgate”.

 

 

 

 

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